"Ali
ali
só
ali
se
se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse
se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce
ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece"
Das Coisas da Vida.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
"Marcelinha".
Toc toc.
Fora a primeira vez que ela batia à minha porta. Não me recordo como foram em realidade esas batidas, também não me recordo sua roupa. Apenas o seu rosto. Era um rosto meio bebado, meio alegre, meio triste, meio ansiosa para um futuro diversificado de aventuras amorosas.
Toc toc também era o barulho dos seus saltos. Sim, ela gostava de saltos. Gostava tanto, que volta e meia ela arranja motivo qualquer para fazê-los uso, e fazê-los serem notados. Eram saltos diversos, de várias cores. Mas tinha um em especial, o vermelho de ponta arredondada.
Era um estilo Bety Boop, meio pin-up girl, meio mulher do mundo. Ela crescia ao usá-lo, e não me refiro aqui à tamanho. Ela crescia ao usá-lo. Ela saltava em um instante de menina-moça para mulhervislumbrante. Se punha de salto vermelho, vestido e batom vermelho e era isso: não havia quem não a reparasse. Era linda. Linda como ninguém nunca antes percebera.
A cada pessoa que era tocada pelo seu salto, nos dias posteriores reparavam então na mesma mocinha durante o dia-a-dia. Sim, ela era linda. Como não haviam reparado antes?!
Mas ela. Ela e o salto e o coração de assalto na espreita de um amor latejante! Nova que era, possuía apenas os seus 19 anos... e já sabia, e como sabia, ao contrário de muitos o que queria da vida. E era coisa simples, bastante razoável, um amor. Mas como já lhes disse, ou não, estava quase desiludida, quase cabisbaixa, quase sem ...
Um dia. Um dia ela lhe botou novamente, passou-lhe aos lábios aquele liquido cremoso que gruda de vermelho, riscou-se de lápis, impôs-se um vestido magistral e saiu. Não quis saber do mundo, não quis saber de amores, a si mesma lhe bastava. Era ela, sua vida e seu salto. E são nesses momentos em que se cabe a ti mesmo, e se está completamente satisfeita que lhe veio de subito.
Toc toc? Não. Não hoje. Hoje os saltos estavam-lhes à mão, ela sorria, gritava, passeava entre a areia e o mar, sorrindo como se o sol lhe saísse dos lábios e a lua dominasse seus olhares! Era sim, era ela. Era ela, o seu salto e o seu coração.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
"eu não quero morrer, ouviu deus?!"
Assim fora o dia seguinte. Após o sono abençoado da noite regada a álcool e das tolices do mundo, acordara e entrara no carro rumo à praia. Fora de carona e foi justamente aí onde começou todo o problema.
Havia tempos que conhecia a motorista, mas já tinha ouvido falar sobre a direção perigosa... Não quis acreditar, pagou para ver, e como diriam os bons "se fodeu".
Não entendo sinceramente o porquê daquilo tudo. Eram acelerações sem motivo, curvas malucas, freadas sem precisão. Ultimamente em minha vida, ando tentando ser uma pessoa mais amena, e para me tornar mais amena, tenho que me tornar mais tolerável, e esse sem dúvida fora um dia de testes.
A todo o instante em que se acelerava, a vontade de esganar, de gritar e de sair do carro era maior do que qualquer outra coisa: não saí. Me impressionam as asneiras que ouvi "se for pra morrer é bom que morre todo mundo junto". Não sei de onde surgiu essa mentalidade egoísta de que a todos lhe serve o seu destino e vontade. Foda-se. Não pensar que você tem para com o outro a responsabilidade e o dever de cuidar, principalmente quando é você quem está no volante, é burrice, imaturidade, criancice, infantilidade, tudo. Querer demonstrar sua sapiência ao volante dando cavalo-de-pau é ser muito imbecil.
Mas ainda assim, me controlei. Pensei, respeitei, respirei, até que chegou no cúmulo: joguinhos na pista com o carro em alta velocidade. Chega. Gritei chega dentro de mim horrorizada com aquilo, gritei no carro qualquer coisa que a fizesse parar. Gritei muito, mas acreditem, esse muito foi muito pouco.
Ao pararmos, falei sobre respeito, saber dirigir, ter consciência, você não está dirigindo sozinha no mundo, pessoas, obstáculos tudo existe ao seu redor e não se pode querer fazer o que quer com você mesma se essas consequências vão ressoar em outras pessoas... e acreditem, ainda existia muito mais o que dizer, mas... me segurei.
Insanidade tem limite, e o meu limite para os outros é bastante curto. Mas aguentei, me segurei, desviei a atenção para não brigar, mas cá estou eu aqui, dizendo tudo.
Em um dos momentos mais tensos do carro o que me veio mais em mente fora justamente esta frase "eu não quero morrer, ouviu deus?! Ouviu????" E olhe que já não acredito mais nessas crenças, mas a sistemática da frase me coube muito bem no momento. O fato é: nunca mais pego carona com ela dirigindo. Ao menos sempre que puder evitar, evitarei.
A única coisa que me deixa triste é saber que ela pode até dirigir melhor quando a carona for eu, mas ainda assim ela não tem consciência e maturidade para dirigir como se deve, em qualquer outra situação.
A noite em que sã nunca existira..
Como todos que vez em quando querem tornar um dia o mais inusitado possível, posso lhe dizer que essa foi a decisão que tiveram sobre o dia posterior. Estavam cansadas só da possibilidade sobre um carnaval monótono, sem referências, sem blocos de rua, enfim... todas sem Olinda. Então, como solução prática das coisas, resolveram fazer um dia com tudo que elas sempre quiseram, mas nunca tiveram coragem.
Eram moças viveram a vida bastante, mas que deixaram passar bobagens de adolescência, e necessitavam viver algumas. Decidiram então o projeto "meus quinze anos". Seria mais ou menos assim: iriam beber uma garrafa de whisky completa e entrariam no Circo, o mais perto do palco possível, para poder rir muito dos palhaços, logo após iriam a alguns puteiros, todos que pudessem entrar, bêbadas e sem pagar muito! E para finalizar o dia, um bar cantando bem loucamente músicas bregas! E foram dormir!
Chegou o dia tão esperado, quando então de inicio, já mudaram as coisas... não foi um circo, mas o cinema.. não fora whiskey no cinema, mas vinhos. Muitos vinhos. Não assistiram o primeiro filme e foram pra outro ao qual também não cheragam a assistir todo.. já saíram da sala de cinema completamente alteradas... Tentaram seguir o plano, mas todos os puteiros da cidade estavam fechados, afinal, tinham esquecido por um instante: era feriado. Então, foram ao bar mais comum da cidade, conversar e beber cerveja. [somem cerveja + vinho]. Assuntos engraçados, conversas de beira de bar, até que se tornou completamente interessante a conversa... Alguns amigos aleatórios delas apareceram na frente do bar onde estava e as levaram para um posto. Elas ficaram no carro conversando mais coisas sobre a vida, mais besteiras, mais assuntos interessantíssimos, e agora sim, a garrafa de whisky estava sendo secada... Mais de tudo.
Ao quase terminarem a noite, decidiram rapidamente, eram duas horas da manhã, que iriam ao último ponto da lista de coisas a serem feitas: o karaokê! E agora sim, o álcool já estava no ar. fora uma noite engraçadíssima coisa coisas surpreendentes! Ao final da noite, já era manhã e a praia rápida remontou a ideia de amanhecer. E assim, aos risos e à sensação de que tinha sido uma das melhores noites, é que fomos todas dormir.
O mais impressionante para mim sobre aquele dia, foi o simples fato de que apesar de querermos fazer coisas inusitadas, o mais gostoso de tudo é saber que não temos essa necessidade real, são apenas curiosidades, mas a simples conversa no carro, o bate-papo gostoso, superou todas as expectativas sobre aquele dia. Enfim crescemos, e crescemos satisfeitas com nossas mudanças. Absolvemos o que precisávamos absolver sobre a vida até então e nos bastam as simplicidades, para que contemplássemos nossos encontros.
Esse sim foi um dia para se recordar, sempre!
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